O Violinista do Diabo

Quem gosta ou conhece a música erudita, com certeza já deve ter ouvido falar no violinista Niccolò Paganini. Sua virtuosa técnica ficou amplamente conhecida no seu tempo (1782 – 1840). Tamanha era sua técnica, que algumas pessoas que o ouviam e viam tocar, atribuiam tais habilidades como advindas de um pacto com o Diabo.

Paganini era um virtuoso; seus feitos assombravam de tal modo as audiências que começaram a circular lendas que aliavam seus feitos a forças demoníacas. Ciente disso, ele começou alimentar esse mito.  

A sua técnica ao violino, além de apuradíssima, também era ornamentada com elementos espetaculares; ao tocar, Paganini desenvolvia um gestual impetuoso e agressivo.

Os feitos de Paganini ao violino não eram menos espantosos. Ele era capaz de tocar à espetacular velocidade de doze notas por segundo – esse é tempo que a maior parte dos músicos leva para ler doze notas :p Ele também inovou com suas técnicas de memorização; antes dele, todos os violinistas tocavam acompanhados do programa a ser tocado – Paganini, por sua vez, costumava simplesmente subir ao palco com seu instrumento, sacudir seu longo cabelo e pôr-se a tocar. Todo o programa já havia sido memorizado.

Recentemente (2013) foi lançado o filme “The Devil’s Violinist” contando parte da história de Paganini. O filme nada mais é que atuado pelo violinista alemão David Garrett, outro que possui técnicas incríveis e com sua orquestra, faz covers de grandes músicas do rock e do pop.

Certamente a mais fantástica proeza atribuída ao violinista, que também vemos no filme, era sua extrema habilidade com uma única corda. Sabe-se que em sua carreira Paganini treinava improvisando melodias em uma única corda, chegando inclusive a compor canções específicas para isso. Francis Gates conta uma curiosa história sobre essa peculiaridade: segundo ele, numa tarde, um rico cavalheiro contratou Paganini e mais dois músicos para fazer uma serenada para sua amada. Antes de começarem, o violinista secretamente amarrou um estilete em seu braço direito – e, então, começaram. Logo uma das cordas arrebentou. “É por causa do ar”, disse Paganini, e continuou tocando com as outras três cordas. Pouco depois, outra corda se rompeu, sem que o violinista demonstrasse qualquer perturbação. Enfim, a penúltima corda se partiu – para infelicidade do apaixonado cavalheiro, que começou a temer pelo sucesso de sua serenata. Paganini respondeu a isso com um sorriso e simplesmente continuou tocando como se nada tivesse acontecido.

Em um artigo do diário de AMA datado de 2 de janeiro de 1978, Dr. Myron R. Shoenfeld lança a teoria que Paganini nasceu com a Síndrome de Marfan: “O longo, sinuoso, hiperextensivel toque da sua mão esquerda deu aos seus dedos um alcance extraordinário e liberdade de movimento independente sobre as cordas no espelho, enquanto a flexibilidade do pulso e articulação do seu ombro do direito, na extremidade superior lhe deu a amplitude requerida para curvamento correto.  A evidência para esta hipótese necessariamente é inferencial, mas, eu acredito, estou convencido e até mesmo compelido”.

É ou não é um violinista do “demônio”?

Referências:

MAISHEAD. Tópico: O violinista demoníaco! 2011. Disponível em: <http://www.portaldascuriosidades.com/forum/index.php?topic=84284.0&gt;. Acesso em: 16 maio 2011.

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